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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Crítica: 'Imortais'

Já começo dizendo que tenho grande admiração pela mitologia grega, e ao ouvir alguns nomes de deuses antigos, um sorriso me vem ao canto da boca, mas infelizmente é uma das poucas emoções que tive ao assistir a este “Imortais” do diretor indiano Tarsem Singh.

Na trama, o ganancioso rei Hipérion (Mickey Rourke) declara guerra à humanidade, e para isso quer libertar os Titãs, únicos seres divinos capazes de derrotar Zeus (Luke Evans) e os demais deuses do Monte Olimpo. Teseu (Henry Cavill) é o único mortal que poderá deter o rei, junto à jovem sacerdotisa que tem visões de acontecimentos futuros (Freida Pinto).

A trama é batida, previsível, cheia de falhas e peca imensamente ao destruir algumas das melhores histórias da mitologia grega (Teseu é o famoso herói que derrota o Minotauro em um labirinto, mas nesta reinvenção, a criatura está longe de ser o monstro narrado por gerações). Os deuses poderiam terminar com a história toda a qualquer momento, mas não o fazem, e não há esclarecimento algum de tal motivação no roteiro. Os personagens não têm tanta profundidade e muitos entram e saem da trama sem propósito ou explicação. Podemos salvar Teseu e Zeus, que chegam a mostrar seus lados “humanos”. O herói, apesar de ser descrito como homem sem medo, demonstra sua fraqueza em alguns momentos (às vezes cruciais). O deus dos deuses também exibe seus temores e receios em algumas cenas, mostrando um pouco de profundidade. Ponto para o futuro Superman, Cavill, que conquista o espectador, e para Evans, que também consegue mostrar boa atuação. Há ainda um Mickey Rourke bem a vontade no papel de Hipérion.

Visualmente, não há como não achar belos quadros no filme. O diretor parece ter pintado algumas cenas, revelando vários (muitos mesmo) planos abertos de paisagens durante toda a projeção, na tentativa de dar proporções épicas e de grandiosidade à película. Tarsem também abusa dos planos-sequência. No entanto, a fotografia de Brendan Galvin cai na mesmice do filtro amarelado, que parece ter se tornado obrigatório neste tipo de filme, desde a realização de “300”. Algumas cores foram bem aproveitadas para distinguir personagens (dourado para deuses, preto para o exército do rei, prateado e azul para o exército grego).

Os clichês presentes são próprios de filmes de guerra: o discurso antes da batalha e os takes em câmera lenta durante a luta (embora deva destacar o uso deste último recurso durante o combate entre os deuses, que ficou diferente e deu uma justificativa do por que estes são chamados assim). No entanto, um ponto a favor de Tarsem Singh são os enquadramentos, muito bem utilizados para demonstrar superioridade e inferioridade dos personagens, mudando o ângulo conforme a cena e o ator presente.

O figurino dos mortais cai na mesmice dos filmes do gênero. Até aí tudo bem, mas os extravagantes e desnecessários adornos nas cabeças dos deuses não ficam bons na telona. Aliás, o espectador desinformado nem saberá que cada deus grego tem uma “especialidade”, pois o assunto sequer é tocado (Zeus é o deus do trovão, Posseidon dos mares, Atena da sabedoria...).

Para terminar, devo dizer que assisti ao filme em 3D, um investimento perdido. Obviamente que a produção acabou sendo convertida (e muito mal) para esta tecnologia depois de terminada, provavelmente por imposição do estúdio que queria soltar a película assim, pois nota-se que o diretor não fez (ou não soube fazer) o filme voltado ao 3D. A presença massiva de desfoco de segundo plano tira toda a sensação de profundidade que é, simplesmente, o essencial para a tal “terceira dimensão” funcionar.

No mais, “Imortais” é um filme que diverte visualmente e aos fãs de pancadaria, devido a suas cenas brutais de violência explícita, mas que deve muito em profundidade e concisão de história.


P.S.: a participação especial de John Hurt dá um toque especial à produção. São do ator as melhores falas.

Um comentário:

  1. e eu achando o filme ótimo haha... nada como ver a opnião de alguém ligado, tanto que depois de ler realmente concordo com várias das suas observações.

    O mais triste foi saber que a "besta" deveria ser o minotauro, faz sentido, pena destruírem essa história.

    O John Hurt realmente fez a diferença. E bom saber que tem um ator bom pro próximo superman.

    Até a próxima crítica!

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