sexta-feira, 2 de junho de 2017

Crítica: 'Mulher-Maravilha'

Mulher-Maravilha” é o quarto filme do universo cinematográfico da DC no cinema, seguido de “Homem de Aço”, “Batman vs. Superman: a origem da justiça” e “Esquadrão Suicida”, e é o primeiro que realmente faz a nova linha temporal construída pelo selo por trás da Liga da Justiça decolar de vez.

Na história, Diana (Gal Gadot, de “Batman vs. Superman”) cresceu aprendendo a batalhar na ilha secreta de Themyscira, onde as amazonas vivem longe da humanidade. Quando o piloto militar Steve Trevor (Chris Pine, de “Star Trek”) acidentalmente cai na ilha, a futura Mulher-Maravilha tem conhecimento sobre uma tal guerra mundial, e resolve partir junto com o soldado para lutar no campo de batalha.

O roteiro assinado por Allan Heinberg (que escreveu para as séries “The Catch” e “Grey's Anatomy”) a partir do argumento criado por Jason Fuchs e Zack Snyder (diretor de “Batman vs. Superman”) tem uma história bem definida, trazendo todos os famosos itens da Mulher-Maravilha, entre o laço da verdade, os braceletes, a espada e o escudo, de maneira condizente com aquele universo e com finalidades bem definidas.

O espectador acompanha a história junto a Diana, sendo impossível não se envolver com a pureza da heroína diante daquele “mundo dos homens”. A diretora Patty Jenkins (do excelente “Monster – Desejo Assassino”) trabalha junto com o roteiro um tema forte como a igualdade de gênero, sem a necessidade de argumentos feministas, uma vez que Diana é uma mulher que nasceu e cresceu em uma sociedade só de mulheres e, para ela, simplesmente não há motivos para ser submissa ou não ter os mesmos direitos que os homens (e há?). O debate pelos direitos iguais surge naturalmente por meio da ingenuidade da personagem. É claro que a personalidade da protagonista colabora para o seu posicionamento diante das situações. Já na ilha de Themyscira, Diana enfrentava decisões de sua mãe, maior autoridade do local, e na Inglaterra torna a contestar ordens de generais superiores a Steve Trevor.

É essa ingenuidade da personagem, aliás, que contribui também para que este seja o filme com o tom mais leve e descontraído do universo DC até então, sem que o humor surja de maneira forçada. Gadot está bem à vontade no papel da personagem, sendo essa a segunda vez que a interpreta, trazendo carisma, paixão e conquistando o espectador com o forte caráter da Mulher-Maravilha. Pine faz um ótimo trabalho como Steve Trevor e sua química com Gadot funciona na tela. Os demais integrantes do grupo que segue na aventura junto com Diana e Steve (formado pelos atores Saïd Taghmaoui como Sameer, Ewen Bremner como Charlie e Eugene Brave Rock como The Chief) são engraçados e servem ao seu propósito, mas nunca chegam a ser realmente desenvolvidos. As amazonas, em especial Connie Nielsen como a rainha Hippolyta e Robin Wright como Antíope, acabam tendo pouco tempo de tela, mas dominam as cenas em que aparecem.

Robin Wright lidera as amazonas em batalha como Antíope.
Aliás, o estilo de luta das amazonas é único, bem desenvolvido e muito bonito de se assistir. No entanto, apesar das câmeras lentas durante várias das cenas de batalha ajudarem a demonstrar detalhadamente os belos movimentos de luta que talvez passassem despercebidos a olho nu, o recurso é usado de forma exaustiva e chega a incomodar um pouco a certa altura.

Outro método utilizado por Jenkins para demonstrar a incrível rapidez de Diana são os cortes com a personagem em diferentes lugares, repentinamente, de uma cena para a sua conseguinte. O conceito é interessante, mas fica estranho aos olhos do espectador durante a projeção, assemelhando-se mais a um erro de montagem do que a um recurso do filme propriamente.

As sequências no campo de batalha são muito bem realizadas e conseguem demonstrar ao público várias das habilidades da Mulher-Maravilha, que por sua vez revela todo o seu potencial na batalha final da produção, quando a personagem finalmente descobre quem é e mostra sua evolução durante a história.

Tudo isso ainda ganha uma belíssima moldura por meio da maravilhosa (desculpe o trocadilho) fotografia de Matthew Jensen (do ótimo “Poder sem limites"), principalmente na ilha de Themyscira, que se torna um verdadeiro paraíso, e da trilha sonora, aqui assinada por Rupert Gregson-Williams (do oscarizado “Até o último homem”), mas que tem seu auge ao som do tema da personagem, criado por Junkie XL e Hans Zimmer para “Batman vs. Superman”. Ponto positivo também para Lindy Hemming, responsável pela ótima reconstrução do figurino de época da Europa da década de 1910, e a criação do figurino das amazonas, que remete à Grécia antiga e as caracterizam como guerreiras que são.

“Mulher-Maravilha” é um ótimo filme que traz mais esperança ao universo DC que o símbolo no uniforme do Superman. Assim como ela aparece para salvar o dia no filme de confronto dos heróis, sua aventura solo chega para resgatar o estúdio de uma avalanche de críticas negativas.

Saïd Taghmaoui como Sameer, Chris Pine como Steve Trevor, Gal Gadot como Diana Prince, Eugene Brave Rock como The Chief e Ewen Bremner como Charlie. Pose para a foto que já havíamos visto em "Batman vs. Superman".

P.S.: Ah sim, e a vilã Dra. Veneno, infelizmente, acaba sendo desperdiçada na produção, sem desenvolvimento algum de uma personagem que parecia ser bem interessante.




quarta-feira, 24 de maio de 2017

Crítica: 'Corra!'


Se você tem medo de assombrações, pode ficar tranquilo, pois “Corra!” (“Get out”, no original), é um suspense psicológico sem nenhum elemento vindo do além. Por outro lado, o filme dirigido e escrito por Jordan Peele (estreante na cadeira de diretor), traz ao público não só momentos de tensão do jeito que os amantes do estilo adoram, como também uma forte crítica social e racial.

A premissa é simples: namorado viaja para o interior para conhecer a família da namorada. No entanto, Cris (Daniel Kaluuya, de “Sicario: terra de ninguém”) é um jovem negro que teme pela reação dos pais de sua namorada caucasiana, Rose (Allison Williams, da série “Girls”), ao se depararem com a diferença racial entre o casal. E é durante esse encontro que algumas atitudes e reações começam a parecer estranhas para Cris.

O roteiro da produção é ótimo. Peele consegue entregar uma história completa, sem deixar pontas soltas, e na qual tudo tem seu propósito para contribuir com a narrativa. Como um bom suspense psicológico, o roteiro consegue prender a atenção do público dentro de seus 104 minutos de projeção, entregando momentos que pegam o espectador de surpresa em sustos nada óbvios. Há toda uma sequência mais gore durante a produção, mas que parece natural à trama, na altura em que se inicia.

Cris encontra os pais de sua namorada, mas algo estranho está acontecendo naquela casa.

 “Corra!” é, antes de tudo, um exemplo de “como se fazer um bom filme”. A direção de Peele também está completa, sem muitos pontos altos, mas também sem pontos baixos. O elenco está afiado e entrega boas atuações, com personagens convincentes, completos e com propósitos bem definidos durante a trama. A fotografia do filme (assinada por Toby Oliver) conversa com o gênero naturalmente e a produção de arte acerta na escolha da paleta de cores, principalmente para o figurino (assinado por Nadine Haders), que também conversa naturalmente com a trama.

No entanto, a produção é tão bem montada e bem escrita, que é inevitável não chegar a prever o que está acontecendo antes mesmo da grande revelação, inclusive com dicas dadas em falas de alguns personagens, o que poderia ser descartado em benefício da descoberta de toda a trama que ocorre no ato final.

Para todos que quiserem aproveitar um bom filme, com uma boa história, que realiza críticas sociais sem torná-las forçadas, “Corra!” é uma ótima pedida. Você levará alguns sustos no caminho, mas a produção vale a pena mesmo para os que não são fãs de suspense.


Ei, já que você está aqui, aproveite para conferir minha crítica sobre "La La Land - Cantando estações" também!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Crítica: 'La La Land - Cantando estações'

Uma poética homenagem ao cinema e aos antigos musicais, envolta em meio a muito jazz e um romance ao melhor estilo de Hollywood. Essa é a proposta do musical cotado como um dos favoritos ao Oscar 2017, “La La Land – Cantando estações”.

A história acompanha a atriz Mia (Emma Stone, de “Birdman” e “Magia ao Luar”), que aspira conseguir seu grande papel de destaque na indústria cinematográfica, e o músico Sebastian (Ryan Gosling, de “Dois Caras Legais” e “A Grande Aposta”), que tem o sonho de abrir seu próprio clube de jazz. Os dois se encontram por acaso e acabam se envolvendo em um romance puro, por entre as ruas de Los Angeles.

O diretor e roteirista Damien Chazelle (dos ótimos “Whiplash - Em Busca da Perfeição” e “Rua Cloverfield, 10”, apenas roteirista nesse último) consegue não só trazer um belo romance entre os protagonistas, como realiza uma incrível homenagem de duas horas aos antigos musicais de Hollywood, em um roteiro bastante metalinguístico, dando forma a emoções por meio de músicas e seguimentos de dança inesquecíveis e cheios de referências.

É impossível não lembrar títulos como “Cantando na Chuva” ou “Sinfonia em Paris” durante as longas sequências e planos-sequências que o diretor usa nos números musicais, além das coreografias realizadas com sapateado, estilo clássico desse tipo de filme. As emoções ganham vida não só com danças e canções, mas com algumas cenas lúdicas, como a do observatório, durante a apreciação das estrelas pelo casal protagonista, em um seguimento belíssimo e poético.


Apesar do título em português, as estações do ano pouco importam em seu sentido literal aqui (mesmo porque não há grande diferença de uma para outra em Los Angeles), mas fazem um paralelo aos estágios do relacionamento do casal. Quanto mais “quente” a estação, mais envolvidos Sebastian e Mia estão, e quanto mais “fria”, mais longe um do outro se encontram.

Ryan Gosling e Emma Stone estão ótimos em seus papéis. Além de uma química perfeita entre o casal, a homenagem à sétima arte vem também na atuação, seja com algumas reações propositalmente exageradas, seja com toda a forte expressão física das sequências musicais.

A fotografia de “La La Land” é tão romântica quanto o filme, brincando com uma paleta de cores intensas o tempo todo e trazendo ótimos planos do entardecer de Los Angeles. O diretor de fotografia Linus Sandgren (de “Joy: O Nome do Sucesso” e “Trapaça”) faz um excelente trabalho em parceria com o cenografista David Wasco (de “Bastardos Inglórios” e “Colateral”), que por sua vez abusa das cores vivas para trazer o lúdico ao dia a dia dos personagens.

“La La Land – Cantando estações” é uma excelente obra da sétima arte que homenageia o próprio cinema da maneira mais bela e poética possível. Se vai ganhar algum Oscar? É muito provável. Mas a única certeza que levamos é a de que merece, enquanto obra de arte e enquanto homenagem metaliguística.

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Confira também as críticas de "Rua Cloverfield, 10", escrito por Damien Chazelle, e do brasileiro "Aquarius".

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Crítica: 'Aquarius'

"Aquarius" não é um filme sobre o edifício Aquarius, por mais que tudo indique que o prédio será a atração principal do longa de Kleber Mendonça Filho (de "O som ao redor"). É um filme sobre Clara (Sônia Braga, a eterna Gabriela da versão original da novela homônima).

A história acompanha a vida da jornalista aposentada vivida por Braga. Viúva e mãe de três, Clara mora em um apartamento à beira mar, no edifício Aquarius, no Recife, onde criou seus filhos e mantém lembranças de uma vida inteira. A trama principal começa a se desenrolar quando uma construtora chega ao prédio de Clara querendo derrubá-lo e construir um novo edifício no lugar. A empresa consegue adquirir quase todos os apartamentos, menos o dela. Começa então a batalha da personagem de Braga contra a construtora.

Parece ser sobre o Aquarius mesmo, não é? Mas o prédio em si é um reflexo da personagem principal, sendo os episódios que se passam com a construção, interessantes paralelos com os acontecimentos da vida de Clara e com sua personalidade. Esse é um dos motivos porque digo que o filme é sobre ela. Toda a narrativa ajuda a construir a personalidade de Clara ao espectador, mesmo que algumas passagens sejam irrelevantes para a trama principal, mas ainda assim têm seu propósito ao exaltar características da personagem, mesmo que sutilmente. Para os mais impacientes, isso pode ser um problema, pois o filme chega a quase duas horas e meia de projeção, com partes que podem parecer se arrastar, mas nada que a incrível interpretação de Sônia Braga e o carisma de Clara não compensem. Ver a atriz tão à vontade na pele da personagem nos faz querer assistir a mais e acompanhar sua história.

São todos esses detalhes que fazem do roteiro e da direção de Kleber Mendonça Filho uma produção tão poética, trazendo retratos da bruta e dura realidade em que vivemos, como a luta entre classes e a expansão imobiliária agressiva, junto à delicadeza com a qual trata assuntos difíceis, como o câncer e a sexualidade na velhice.


A fotografia a quatro mãos de Pedro Sotero e Fabrício Tadeu (ambos também de "O som ao redor"), é muito bonita e contribui para a poesia do longa, trazendo vários planos abertos, que mostram a arquitetura da cidade, onde prédios antigos se tornam pequenos e ficam comprimidos entre arranha-céus modernos. A própria abertura do filme, com fotos antigas, ajudam a traçar este paralelo com as imagens atuais de Recife, mostradas ao longo do filme. Nos planos mais intimistas, a câmera também passeia e fica à vontade no pequeno apartamento de Clara, sempre em tons claros e quentes, mostrando a paz e o aconchego do refúgio da personagem.

A direção de arte e a cenografia, ambas assinadas por Thales Junqueira (de "Que horas ela volta?") e Juliano Dornelles (repetindo a parceria com o diretor de "O som ao redor"), ganha pontos na reconstrução do apartamento dos anos 1980 com perfeição, e trazem uma nova roupagem ao mesmo lugar dos dias atuais, preservando móveis e objetos centrais que conservam as lembranças e a nostalgia proporcionadas pelo local.

No mais, "Aquarius" é um filme para se apreciar aos poucos, não só acompanhando o universo de sua personagem central, Clara, mas também mergulhando em sua intimidade, e conhecendo cada detalhe, cada pensamento e cada característica de seu exterior e interior.

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Confira as críticas de outros filmes brasileiros que também me conquistaram: a comédia "De pernas para o ar"  e o drama "Salve Geral".

domingo, 1 de maio de 2016

Velozes e Furiosas: críticas rápidas de 'Guerra Civil', 'Mogli' e 'Rua Cloverfield'

Assisti recentemente a três filmes que me despertaram bastante o interesse e me instigaram a escrever sobre eles. No entanto, ansioso como sou, a vontade é redigir todas as minhas impressões de uma só vez e assim acabo me atrapalhando e misturando as bolas. Resolvi então fazer este novo quadro no blog, pra comentar rapidamente sobre vários filmes em um mesmo post (as vezes não tão rápidas,  como você perceberá na última). As análises não serão tão aprofundadas, mas farei o meu melhor para o texto não ficar tão superficial e dispensável a você, leitor. E o título é só uma referência ao filme "Velozes e furiosos" mesmo, não serei tão raivoso com as produções assim. ;-)


Crítica rápida: "Mogli - O menino lobo"

Na era dos reboots, é sempre preciso apostar em um diferencial, e os estúdios Disney colocaram todas as fichas nas versões live-action (com atores reais em tela) de seus clássicos animados. Neste "Mogli - O menino lobo", o grande trunfo ao recontar a história do garoto criado na selva é a computação gráfica realista feita para os animais, e precisamos tirar o chapéu para os responsáveis, pois os efeitos estão incríveis. É um ótimo filme, que apostou em uma história já abraçada pelo público no longa animado de 1967 e que traz um elenco estelar nas vozes de personagens já consagrados. No meu caso, assisti ao filme dublado, e o elenco tupiniquim não deixou a desejar. Marcos Palmeira, Júlia Lemmertz, Thiago Lacerda, Tiago Abravanel, Dan Stulbach e Alinne Moraes estão ótimos e integram naturalmente a voz a seus personagens. O estreante Neel Sethi, que interpreta Mogli, já conquista o público logo de cara e interage bem com os personagens digitais. A bela fotografia Bill Pope dá todo o tom da trama e casa bem com a pós-produção digital, mas já era de se esperar pelo currículo do diretor de fotografia (que tem "MIB 3", "Scott Pilgrim contra o mundo" e "The Spirit", por exemplo). No mais, o diretor Jon Favreau fez um trabalho muito bom, mas talvez nada excepcional, por apostar no certo e na nostalgia e não arriscar tanto, o que não desmerece em nada o filme.


Crítica rápida: "Rua Cloverfield, 10"

E quando a gente menos espera, BOOM! Vem a Bad Robot (produtora do consagrado diretor de "Star Trek" E "Star Wars", J. J. Abrams) e tira um filme pronto do bolso, assim, do nada! Pois é, ninguém estava sabendo da produção desta "continuação" do filme de 2008, "Cloverfield - Monstro", e repentinamente, o diretor estreante Dan Trachtenberg traz um thriller incrível, com a mesma pegada do "quanto menos você souber, melhor" que o filme antecessor propôs. A produção é quase teatral, restringindo a maior parte do filme em um conjunto de cenários apenas com os três principais (e praticamente únicos, com exceção de alguns figurantes rápidos) atores do elenco. Aliás, todos em ótimas atuações, com destaque para John Goodman (de "Trumbo: lista negra"), que entrega uma personagem dúbia, que vai surpreender o espectador durante todo o filme. Sem desmerecer, claro, as também intensas atuações de  Mary Elizabeth Winstead (de "Scott Pilgrim contra o mundo") e John Gallagher Jr. (da série "The Newsroom"). Em um espaço tão restrito, Trachtenberg encontra ângulos e posicionamentos de câmera que conversam com o filme e com as personagens, fazendo com que o público mergulhe de cabeça na história, sempre em sintonia com a excelente fotografia Jeff Cutter (de "A órfã"), que também auxilia nos tons de ambiguidade e conversa com os sentimentos e sensações passadas pelos atores. Um excelente filme e uma ótima surpresa para os apreciadores da sétima arte.


Crítica rápida: "Capitão América: guerra civil"

Sou uma pessoa muuuuuito suspeita para falar de "Capitão América: guerra civil", pois quem me conhece ou já leu um pouquinho do meu blog, principalmente nos últimos tempos, vai perceber que sou um fã inveterado da DC, apesar de admitir que a casa do Batman tem cometido alguns erros complicados em relação às escolhas para seus filmes junto à Warner Bros. Mas enfim, estamos aqui pra falar de "Vingadores 2,5", como alguns estavam pregando, devido aos vários heróis do Universo Marvel que aparecem. Bom, já começamos por aí: definitivamente não é um novo "Vingadores", mas apesar do foco ficar sim no Capitão América, outro herói tem tanta relevância quanto o sentinela da liberdade para o filme, o Homem de Ferro (aqui eu diria que acredito que o filme seria melhor chamado de "Homem de Ferro e Capitão América: guerra civil", mas não vou comentar isso para que não pensem que estou fazendo paralelo a um certo filme de confronto de super-heróis, que você pode ler minha crítica clicando aqui). O filme funciona, o roteiro é redondo, tudo tem um propósito e não há um desgaste inútil dos heróis. Todos que participam colaboram de alguma forma, mesmo que não aproveitados em toda sua potencialidade, afinal, o Capitão América ainda está no título e é nele quem devemos focar. No entanto, os diretores irmãos Joe e Anthony Russo (de "Capitão América: Soldado Invernal") talvez errem um pouco a mão no ritmo da trama. Momentos de maior dramaticidade acabam passando rapidamente pela tela, enquanto outras passagens que poderiam ser um pouco mais ágeis se arrastam por alguns minutos extras. Mas o clima político que envolve toda a história é bem conduzido pelos Russo, assim como as cenas de ação que trazem vigor e um espetáculo à parte ao filme.

O Barão Zemo, um dos vilões do filme, é desenvolvido de forma intrigante e desperta o interesse do público. De fato, ele tem certo destaque, mas a personagem não tem um desenvolvimento tão satisfatório, deixando sua ascensão para a próxima película. Outra cartada gasta pela Marvel é a escalação de Martin Freeman para um papel dispensável neste filme. Quanto aos principais, o arco da personagem de Robert Downey Jr. (depois de tantas produções, preciso falar que ele é o Homem de Ferro?) acaba sendo melhor desenvolvido e mais interessante que o do próprio Capitão América (só pra constar, é o Cris Evans), isso porque todo o desenvolvimento da personagem de Evans é feito logo no início do filme e ele se mantém sem grande evolução até o final. A fotografia de Trent Opaloch é satisfatória, seguindo o padrão dos filmes Marvel e até mais leve do que o último "Capitão América: Soldado Invernal", o qual ele também assinou a direção dessa área.


A apresentação dos novos integrantes do Universo Cinematográfico da Marvel acontece de maneira natural e integrada à trama. O Homem-Aranha faz jus ao título de espetacular, com Tom Holland bem à vontade no papel do amigão da vizinhança,  e cria uma dinâmica interessante e funcional com o Homem de Ferro. Chadwick Boseman encarna pela primeira vez o Pantera Negra em uma subtrama simples e integrada à história principal, e entrega uma boa atuação, mostrando uma personagem completa e despertando a curiosidade do espectador em conhecer mais sobre seu país e sua origem. A caracterização e o estilo de luta do Pantera Negra são shows à parte, apesar de pouco explorados pois, afinal, ainda é um filme do Capitão América.

Enfim, "Guerra Civil" entrega um filme muito bom, que mostra o Universo Marvel mais integrado do que nunca fora das produções de títulos "Vingadores", mas não tem medo de admitir que é parte  de uma história muito maior, deixando alguns arcos tão abertos para produções vindouras, que o filme acaba não encerrando seu principal argumento e deixa a sensação de que  vai ter um "Gurra Civil 2" vindo por aí.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Mais 'Batman Vs Superman': debate no programa 90 Takes

Um dos assuntos mais falados da semana, o filme "Batman vs. Superman - A origem da justiça" foi tema de um debate entre os participantes do programa 90 Takes (acesse e se inscreva no canal, é muito bom!). Eles me convidaram para participar do vídeo feito ao vivo na noite de segunda-feira (28), e acredito que o resultado ficou interessante. Para quem não pôde acompanhar, segue o vídeo abaixo. Lembrando que há spoilers pesados do filme, então se você ainda não assistiu "Batman vs. Superman", sugiro que volte aqui depois de sair do cinema. Já se quiser ler minha crítica do filme sem spoilers, também está disponível aqui no blog.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Crítica: 'Batman Vs Superman - A Origem da Justiça'

Depois de anos de espera e do grande desafio que o diretor Zack Snyder tinha (conforme falei há um ano), finalmente chegou o momento de assistir aos dois maiores ícones da DC Comics se enfrentando “mano a mano” na telona. O filme “Batman Vs Superman - A Origem da Justiça” é a grande aposta da empresa para começar a expandir seu universo cinematográfico e correr atrás do prejuízo, uma vez que a concorrente, a Marvel, já está a caminho do terceiro e quarto filmes da sua superequipe.

Se a ideia era mesmo correr atrás do prejuízo, a Warner e a DC conseguiram, mas correram tanto que ficou bem explícita essa correria toda no filme de confronto dos heróis. Durante as suas duas horas e meia de projeção, "Batman Vs Superman" se atropela em seus cortes frequentes na edição e cenas curtas, ao tentar desenvolver a história rapidamente para escancarar as portas do universo DC no cinema e abrir caminho ao vindouro filme da Liga da Justiça. E a melhor forma que os idealizadores acham para escancarar esta porta é com um chute violento do Homem-Morcego, que aparece em sua encarnação mais brutal no cinema. Ben Affleck (dos incríveis “Garota Exemplar” e “Argo”) está muito à vontade no papel, trazendo um Batman sombrio, violento e eternamente atordoado pela morte dos pais, muito próximo às versões mais aclamadas pelos fãs nos quadrinhos. Henry Cavill (de “O Agente da U.N.C.L.E.”) retorna como o Superman saído de “Homem de Aço”, em uma interpretação de mesmo tom, apesar de trazer alguns momentos ameaçadores, como nunca vi uma encarnação do herói nos cinemas o ter. E a Mulher Maravilha de Gal Gadot (de “Velozes e Furiosos 7”) é uma ótima surpresa e complemento à trama, sem fazer a moça em perigo e finalmente trazendo a primeira encarnação da heroína nos cinemas.

Apesar da correria da trama, o diretor Zack Snyder soube apresentar bem os novos personagens, não gastando tempo demais com a reconstrução do Batman, por exemplo. Há sim a morte da família Wayne, mas em cortes rápidos e muito sucintamente, apenas para relembrar o espectador de um detalhe essencial para o desenvolvimento final da história. Outro ponto positivo foi uma reconstituição da sequencia da batalha de Metrópolis entre Superman e Zod, em “Homem de Aço”, mas observada do ponto de vista de Bruce Wayne, que se encontrava na cidade naquele instante. A diferente perspectiva apresentada pelo diretor aproxima o espectador do cidadão comum daquele universo, e contribui para a apresentação do Superman como uma figura longe do alcance dos meros mortais.



Além do trio de heróis da DC, outro personagem que ganha grande destaque é o Lex Luthor de Jesse Eisenberg (de “A Rede Social”), que moderniza o arqui-inimigo do Homem de Aço trazendo um contraste visual interessante com o herói, e uma ótima encarnação da mente megalomaníaca do vilão nos quadrinhos. A Lois Lane de Amy Adams (de “Trapaça”) também está mais investigativa do que nunca, mas ainda está longe de conseguir se defender sozinha. Alguns outros personagens interessantes e cruciais para a trama são pouco aproveitados, mas essa eu deixo passar por servirem a um propósito que realmente pega o espectador de surpresa na trama.

Quem me conhece sabe que sou suspeito para falar do Homem-Morcego (e sei que já falei dele ali no segundo parágrafo), mas exalto aqui algumas das melhores sequências do filme que têm o personagem como figura central: a apresentação inicial do Batman é digna de um filme de suspense, muito bem feita, e a cena de luta contra vários capangas a certa altura do filme também é incrível. Os sons de gritos ouvidos por policiais e outros capangas que se encontram longes da ação do Homem-Morcego, ajudam a moldar o personagem com sua brutalidade e disseminação de medo entre as pessoas.

A insistência de Snyder nas paletas mais escuras nunca me incomodou anteriormente, mas uma vez que você assiste a “Batman Vs Superman” em 3D (como está disponível na grande maioria das salas de cinema em todo o Brasil), não há como não se irritar com o filtro ainda mais escuro que o óculos providencia ao espectador, para ver efeitos 3D fracos e dispensáveis.

Por fim, é muito bom, como fã, ver a Liga da Justiça se formando finalmente no cinema e, sim, foi curioso ver a aparição rápida de alguns outros heróis por este filme, no entanto, também dispensáveis à trama (com exceção da Mulher Maravilha). Lembrando que Snyder é nerd, e vários arcos dos quadrinhos são respeitados e vários personagens são fieis às suas encarnações de papel.

“Batman Vs Superman - A Origem da Justiça” é um bom filme, que vai agradar muito aos fãs e deixar o gostinho de “quero mais”, mas não é perfeito e nem o exemplo definitivo de filme de heróis. Basta ver se a “edição do diretor”, a ser lançada em setembro com 30 minutos a mais, conseguirá entregar uma história mais fluida.






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